quarta-feira, 26 de setembro de 2012

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Faz sete meses que estou no Rio de Janeiro e existe uma chance de que já no ano que vem eu não esteja mais aqui, mas sim em São Paulo.

Sendo bem sincera, agora que isso está próximo do "sim ou não" eu não sei se quero tanto assim ir pra lá. É a digníssima, mas tá... E daí? Okay. Não é "e daí", mas agora que as coisas estão caminhando bem... Sei lá.

Cada vez que aprofundo o estudo do ofício "jornalista" começo a achar que eu não devia estar nesse curso. Quanto mais estudo filosofia mais acho que nada disso aqui faz sentido. Não é atoa que o primeiro post desse blog foi uma nota sobre Weltschmerz. A tendência ao pessimismo sempre correu forte na minha veia, pra ser de um niilismo radical é um pulo, é só estudar mais um pouco.

É tudo muito confuso.

Tento sempre traçar um objetivo a ser alcançado, mas parece, de tempos em tempos, que a linhas desse traçado não foram firmes. Parece que tudo que eu delimitei não faz sentido para sê-lo.

Eu estou cansada disso tudo, juro que estou. Eu só quero cama e um leite quente, ou quem sabe a fórmula de como não se envolver, de como não enlouquecer.

Não é coincidência que poetas, escritores e filósofos tem uma certa tendência à loucura/depressão.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Hoje

Hoje fiquei com vontade de escrever, mas sem saber exatamente o que.

Hoje lembrei com mais força dos meus professores do ensino médio e queria poder falar o quanto eu sou grata a eles e sinto a sua falta. Mas não soube como me expressar.

Hoje senti mais do que nunca a falta do meu casal preferido. E não estou falando dos meus pais, que na verdade nem são um casal mais. Mas estou tão pouco acostumada a dizer isso pra eles que também não soube como lhes comunicar isso.

Eu sinto tanta falta da madrugada, do silêncio, de poder ficar pensando só com o barulho da música que eu coloco pra tocar. De não ter a urgência do relógio me arrastando de um lugar pro outro.

Esses dois meses mais parecem dois anos. Nem me lembro mais como não é ter nada pra fazer. E em certos momentos a minha mente simplesmente se desliga e eu não vejo nada, não ouço nada  ou lembro de nada. E quando volto eu não sei se estou ficando louca ou cada vez mais lúcida. Toda lucidez tem um 'cado de loucura. E toda loucura tem algo de lucidez. E pode ser que isso aqui seja poesia de butequim.

Só que eu já não me levo mais a sério, ou tenho a pretensão de soar tanto quanto poeta, tanto quanto um bobo. Só quero dizer.

Aprendi que Sócrates foi dos mais sábios homens. Sua sabedoria consistia em saber-se ignorante. E por mais que falemos que "somos insignificantes, somos ignorantes", no fundo ainda temos a soberba dos que se acham sábios e nos achamos sábios por isso dizer, que tão insignificantes somos. Estamos longe de realmente achar isso.

Achamos sempre que há uma estrela escondida no fundo do nosso âmago pronta a nos fazer brilhar. Alguns chamam isso de ambição, outros de esperança. Sem jugamento de valor, por favor.

Hoje eu não sei mais como exprimir minhas emoções. Ora grito querendo fazer conciliação. Ora falo manso querendo brigar.

Definitivamente estou embirutando.

"Tá" um bagunça o texto? Se isso foi o que eu consegui organizar pra colocar aqui, imagina o que ainda está dentro de mim.


quinta-feira, 22 de março de 2012

De quarta pra quinta

Como isso aqui é um blog pessoal, em momento algum me comprometi em falar de algo que tenha um significado maior para o leitor e, por isso, hoje não vou tentar ser interessante, por favor não se ofenda.
Em plena madrugada ouvindo a máquina de lavar roupa fazer seu trabalho e cantarolar algo que mais parece um tema pra minha nova vida.
Mudar de cidade é sempre uma merda, com o perdão da palavra. Aliás, com perdão nenhum.
É uma merda. É um cu. É escroto pra caralho.
Ter que escolher casa/apartamento, conviver com muitas pessoas novas ao mesmo tempo, uma ambiente completamente inóspito diferente e ter que tocar a vida ao mesmo tempo, ainda mais sem papai do lado está sendo escrotíssimo para a moça que vos fala.
Se por um lado tenho toda a liberdade, que na verdade nem é algo novo já que eu sempre a tive e nunca me foi restrito nada em casa, então nem é tudo isso, mas pelo menos não tenho mais encheção de saco todos os dias. Só um fim de semana por mês. Por outro lado eu tenho que lavar minha roupa, dar conta de todas as minhas coisas e me acostumar a não estar de férias numa cidade onde quase todo mundo parece estar de férias.
Dar conta do meu outro blog, que sempre levei com mais seriedade que esse, isso é fato; ter que dar conta da faculdade, dar atenção ao meu namorado (que putaquepariu, o que seria da minha adaptação aqui sem ele... Tava fudida e mal paga!), e ainda me acostumar com a nova vida... Confesso que ainda não peguei o ritmo da coisa, elas estão quase que me atropelando na verdade.
Queria fazer metáforas bonitinhas, algo mais poético que esse texto todo cru, mas não sei se é a nova configuração de toda a coisa ou se eu mesmo que estou mudando. Simplesmente não tenho saco.
Quero cuspir as palavras, quero xingar alguém, falar muito palavrão. Desculpe-me outra vez, não se ofenda.
Internet, tempo zero. Sono pra caramba. Cerébro pra nada, tudo está bagunçado... Não lembro de nada se não anotar, não anoto nada se não focar e isso significa esquecer o resto, até mesmo de anotar as vezes...
Tinha me esquecido como era mudar de cidade... As pessoas são meio hostis, ou sei lá... Provável que eu é quem não esteja muito familiarizada, mas é com toda razão.
Não sou uma exclusividade. Divido o apartamento com mais 9 meninas (sim, nove meninas) e o apartamento tem basicamente dois quarto pequenos. Todas elas devem se sentir mais ou menos assim.
Mas é aquela, o blog é meu, vou falar de mim e ponto.
Saudade de casa e dos meus pais, dos meus irmãos, da Maria, da minhas duas amigas (F e G só pra ficar claro)... Da escrivaninha que eu tinha no quarto e da cama com um travesseiro macio. Saudade de calmaria, de paz. Saudade de conseguir me organizar com calma.
Bem sábio como sempre foi padim que disse que eu sentiria falta e eu nunca duvidei disso, e achei que não ia aguentar... Estou aqui, mas digo... É foda!
Eu não escolheria nada diferente, porque eu quero estar aqui, na verdade não é o verbo querer, é o verbo precisar o correto.
Então, vamos nos entulhar até o pescoço com os novos papeis, aqueles que assumimos e aqueles se acumulam na pilha que tenho pra ler. E aprender que dormir, não é coisa a se fazer até muito depois do amanhecer...
Putaquepariu, como demora essa coisa de lavar roupa!

domingo, 13 de novembro de 2011

Pra ele

[...] "Eu quero a sorte de um amor tranqüilo com sabor de fruta mordida... Nós, na batida, no embalo da rede, matando a sede na saliva..."  [...]
E você me deu isso... E de uma forma tão, simples, tão verdadeira... Só sendo você mesmo e gostando de mim, até dos meus defeitos, como às vezes parece.
Você nunca me deu sermão por eu ser toda errada, sempre me deu os melhores presentes: seus conselhos e o seu silêncio, apenas escutando as minhas tantas reclamações.
Nos dias em que eu estava junto de você, o seu carinho, a sua atenção... Não é como se eu tivesse opção de gostar de você. Simplismente não tem como não gostar.
Os carinhos, o jeito que você toca o meu cabelo, o jeito de você ser clichê e fofo que pouco combina com você, mas ao mesmo tempo que parece que foi feito pra você falar.
Hoje é uma data muito importante pra mim, já que o dia de todo nascimento é algo a se comemorar, ainda mais nesse caso... Você sabe tudo que eu poderia falar, tudo que todo mundo fala... Então eu não preciso falar, você sabe o meu sentir.
Eu realmente gosto muito de você... E gostaria do fundo do meu coração de poder passar esse dia na sua presença, mas isso me foge ao controle. Algumas escolhas tem que se tomadas, mas nem sempre o certo é o que a gente quer.
Muito obrigada meu bem.
 [...] "All my love I will send to you..."  [...]

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Mas tinha o sonho...


            Era só mais uma daquelas cidades bucólicas, que ficam no interior das Minas Gerais. Fica à uma hora de Diamantina e perto de alguma memória distante em minha cabeça. Com ruas de paralelepípedos, algumas planas, típicas de parte do cerrado e alguns morros típicos do meu querido estado, numa terra meio seca de gente simples e lutadora.
            Eram duas menininhas numa casa, brincando debaixo do pé de jaca antigo que ficava no quintal. Duas irmãs. Elas passavam a maior parte do tempo juntas, tinham se mudado há pouco tempo para aquele lugar com os pais, que juntos com Maria, uma moça que cuidava da dupla e da casa e já fazia parte da família como ainda faz, compunha uma família como muitas outras, que tocava sua vida naquele lugar meio longe de tudo. 

Eu e a Branca tínhamos dois cofrinhos, que eram dados a nós crianças daquela geração pra juntar moedinhas e achar que dois reais era o maior dinheiro do mundo. Estávamos ricas!
Passávamos toda a semana juntando moeda por moeda pra colocarmos em nosso cofre e um dia sermos ricas. Era mais uma brincadeira de criança, uma de seis e outra de quatro anos, não é como se soubéssemos muito da vida.
Juntávamos moedas por moeda na espera de quinta feira. A quinta feira era nossa fortuna, era pra onde ia todo nosso montante de ouro. Porque na quinta feira tinha sonho.
Sonho é um doce feito com creme e uma espécie de massa que só as pessoas que tem carinho ao cozinhar sabem fazer direito. E na quinta feira o moço do leite vinha. Na verdade, ele vinha todos os dias, mas na quinta tinha sonho.
Em cidades pequenas algumas famílias que moram nas fazendas perto e tem por lá algumas vaquinhas tiram leites dela e trazem pra cidade e é que lá que famílias como a minha comprávamos um leite muito mais gostoso do que qualquer caixinha pode oferecer nesse mundo. Não que eu goste muito de leite ou que eu seja contra os processos de purificação e tudo mais que o leite passa pra chegar dentro de uma caixinha, mas leite de cidade pequena, de fazenda é o melhor do mundo.
E na quinta feira o moço do leite trazia sonho. A sobrinha do moço do leite tinha mãos de fada sabe? Ela fazia o doce mais delicioso que eu provei. O tal sonho.
Eu sempre achei engraçado o nome do doce, mas ele era assim mesmo, um sonho. Vinha em pacotinhos com dois ou três e cada um custava a fortuna de dois reais. Só sabe o que é um sonho aquele que consegue imaginar duas criancinhas correndo pros seus cofrinhos pegando seu precioso dinheiro ao ouvir a buzina da pampa, com o leite e o sonho.
E era assim toda quinta feira de todas as semanas, de todos os meses, mas não todos os anos. Porque um dia o sonho não veio mais e depois as menininhas mudaram-se e logo depois elas cresceram.
Nunca mais provei um sonho tão gostoso, seja pela espera por ele, seja pelo amor com que é feito, seja pelo leite acompanhado ou até mesmo pelo doce do creme, a fofura da massa e o jeito do açúcar de cobertura. Sei que até já tentei parar de procurar e às vezes até sinto o cheiro daquela lembrança vindo de longe tal como agora.
Curiosamente eu tenho um novo cofrinho, anos depois. Na verdade ele é mais um pote que eu lotei de moedas porque não tinha onde colocar, já que elas caem da minha carteira e minha irmã fez o mesmo, então elas foram acumulando ali. Toda vez que olho para o pote fico pensando em quantos sonhos eu poderia comprar.
Mas o meu dia-a-dia hoje, depois de tanto tempo, agora morando numa cidade com largas avenidas, todas asfaltadas, onde todo mundo tem uma vida muito corrida e por isso não dá pra observar o relevo da rua ou se as calçadas são de pedra ou cimento, já que se tem muita coisa pra fazer, onde se tem muitos planos, mas nada de concreto a não ser as paredes dos edifícios, o meu dia parece mais uma quarta feira eterna com um cofrinho lotado onde a quinta feira parece muito longe pra poder-se alcançar. 

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

O tempo e o medo

O mundo gira. O tempo passa. A gente envelhece. As coisas acontecem. Cada segundo que passa estamos em um espaço, tempo futuro-passado diferentes. Como se pudéssemos distinguir o que é realmente futuro e o que é passado... Mas a gente não pode na verdade. Eles se confundem. Porque a verdade é que o maior erro do futuro é tornar-se passado o tempo todo, frase de alguém que eu não me lembro, mas a moral ficou.
Eu queria estar no futuro. Mas eu queria estacionar no presente, ou passado. Que no fim das contas serão todos a mesma coisa. Tempo.
Tempo e espaço são relativos como diz o mestre da física. Não que eu goste de física, longe e mim. Sou péssima com números, tanto quanto com palavras, tanto quanto expressar a confusão da minha mente.
Mas isso eu entendo. Quando mais eu quero que o tempo passe, mais ele demora. E quando mais eu quero que ele fique, mais ele voa. Como se estivesse fugindo de mim o tempo todo, ou vindo ao meu encontro e então quem foge sou eu.
As várias sensações, de presente, passado, futuro, você e ele... Percorrem meu corpo e embrulham meu estômago. Num misto de inúmeras confusões e eu não sei se é passagem do tempo que me atordoa, ou se é a falta que ele faz, a falta que eu me faço. Não sei mais ou que sentir.
Não quero me perder na neurose de pensar em espaço ou em tempo porque isso vai me levar à loucura e eu sei disso, mas eu não consigo deixar de passar mal por isso às vezes.
As tantas interrogações que eu insisto em não fazer, em todas as coisas que eu insisto em não pensar. No tempo e no espaço. Em tempo.
O medo e o tempo, esses sim, me perturbam. Medo de perder ele, medo de me perder, medo de temporais,  medo do tempo.
O que posso dizer, em tempo, é que eu tenho medo, mas que tenho vontade, e minha vontade é de ter ele, e o futuro está ai e já virou passado agora.
Mas a verdade é que eu não vejo a hora do meu passado chegar.

domingo, 2 de outubro de 2011

Então ele está de volta.

- Olá. - uma pausa foi feita em meio ao espanto e ao frio na barriga ao ver quem era.
Quem estava parado à porta fez gesto para entrar.
- Ah não! Você de novo?! Veio pra atrapalhar minha vida de novo?
Parado no mesmo lugar, ele deu um passo pra trás. Fez uma cara triste como se arrependesse. Disse que não fez por mal e que não vinha pra me machucar. Pediu pra entrar novamente.
- Espere. Deixa eu pensar. - Ele esperou calmamente. Então olhei pra ele e disse - Você está diferente. Vem de outro lugar não é mesmo?
E ele fez que sim.
- Parece mudado. - Ele disse que era novo, que não queria me fazer mal.
Os trejeitos dele,parecia deveras arrependido, mas ele já tinha me feito chorar tantas vezes, por tantos lugares diferentes, de formas diferentes. Eu me lembro de cada cristal derramado pelos meus olhos, cada pedacinho de mim que foi deixado por ai e que eu tento recolher até hoje.
Ele quis entrar novamente.
- Desculpe-me, não é por mal. De verdade, me perdoe. Mas eu não quero, não quero aquilo tudo de novo.
- Dessa vez é diferente. - Eu olhei pra ele, estática, eu queria acreditar, mas eu tinha medo. - Eu prometo. Você tem que acreditar, eu não vim pra trazer dor, mas se você não arriscar não vai saber.
Eu pensei naquilo. E pensei de novo.
Ele pegou minha mão e apertou de uma forma gentil. Então chegou perto e eu olhei pra ele, tão mais forte que eu, tão mais nobre que eu. Ele estava no meio da porta, um passo pra trás estava fora, um passo pra frente ele estava dentro. Não sabia mais se expulsá-lo era opção, até porque a verdade era que eu não queria, mas eu tinha tanto, mas tanto medo... E eu não queria admitir.
Eu dei um longo suspiro. O meu coração palpitava, a minha respiração acelerava e ai sem pedir mais licenças ele entrou e fechou a porta atrás de si. Então ficou perto de mim. Eu sentia a sua respiração de tão próximos que estávamos.
- Você não pode...
- Você sabe que posso. Eu sou parte de você, não é como se você pudesse me impedir de estar aqui.
- Mas eu posso te ignorar.
- Não, você não pode.
Sentei num canto, derrotada. Ele estava certo.
- Então agora seremos nós dois de novo? - Ele olhou pra mim,sorriu e fez que sim.
Eu coloquei a cabeça nos ombros dele e sorri junto dele.
É bom ter ele aqui, dentro de mim. As vezes eu sinto uma angústia. Mas com sentimentos, ainda mais aqueles fortes como ele, não dá pra lutar.
E foi assim que ele entrou na minha vida de novo.